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A Iniciação é necessária e a verdade deve ser “ensinada” com uma ordem hierárquica, o que dá vida aos fortes pode também dar a morte aos fracos e nem todos podem, indistintamente, ser alimentados com o mesmo pão e saciados com o mesmo vinho.

Toda revelação portanto tem seu lado funesto, é a salvação para alguns e a perdição para outros. *

Quando nos deparamos com tal afirmação, prontamente nos colocamos a refletir a respeito de tais critérios, que podem estar relacionados a distinção entre fortes e fracos. Será mesmo que algumas virtudes e dádivas nos tornam diferentes dos demais?

Deve ser afirmado com absoluta certeza sobre a condição superior ao qual nos eleva tais elementos, no entanto, não se deve acreditar que eles são unicamente responsáveis por tal condição; na verdade, o que se mostra fundamental primeiramente é a natureza de cada um.

Qualquer um pode ser iniciado, no entanto, não é qualquer um que consegue vencer os obstáculos da iniciação rumo a LUZ da evolução espiritual.

A compreensão de si mesmo e o conseqüente domínio de seu ser e de todo seu redor, o romper de seus limites e o alçar vôo rumo ao infinito inimaginável pelos homens comuns, A visão da verdade, a essência das coisas, o encontro com o Universo e o Reinado como teu berço e matéria prima.

A cumplicidade entre o iniciado e o Universo.

A compreensão e a utilização das leis naturais que regem o TODO e o NADA, e que estamos indistintamente envoltos e acessíveis a suas influências.

Onde não há compreensão, há dor.

Esta afirmação deve ser levada ao mais profundo e mais simples nível de reflexão. Aqui os ordálios começam, a jornada se mostra bela, mas no entanto, envolta a espinhos.

Tal jornada descreve aos seus olhos que teus pés serão dilacerados no percorrer de seu caminho...Mas o que é o a Dor?

O que é o Medo? O que pode me trazer tal percurso?

A iniciação ao qual nos vemos desposados não compactua com teorias e valores morais, com conformismos e estados de fraqueza comuns e insignificantes.

Não nos leva a aceitar o dilaceramento da alma e o ressentimento em virtude de uma promessa metafísica de bem estar ilusório.

Podemos ser Deuses agora. O desprender da carne será apenas um novo ciclo, longe da Roda. Para o iniciado, a Morte é o seu Nascimento. Por isso nós adoramos a Morte; e absolutamente por isso, somos conhecedores da Vida.**

A Iniciação é como o lapidar de uma jóia, os métodos são complexos, herdados de forma tradicional e sigilosa, (através da compreensão natural), suas teorias nada são do que a compreensão de nossa Natureza, a forma de desposar dela e mergulhar em nosso ser em uma alquimia interior da qual o Final da Obra trará o Deus que somos por Natureza a herdar a coroa.

Em contrapartida, lutamos contra nós mesmos, contra nossos próprios vícios, fraquezas, apegos infindáveis a tentações que permeiam nosso redor constantemente, mas que somente nos afetam se mostramos a ela um sorriso convidativo na sua apresentação.

Cada um é responsável pelo fardo que carrega, e somos levados a colher, indistintamente, a todos os frutos que outrora foram plantados por nós mesmos.

Certamente que os mistérios da vida, não nos serão revelados, mas a forma ao qual podemos nos utilizar dela com benefícios é certa em uma iniciação verdadeiramente mágica e certa de suas aspirações.

A maneira pela qual nos é dado este dom divino de dar a vida, chega a sua compreensão absoluta;

O encontro com a Morte nos leva ao entendimento e a intensidade de nossa própria Vida, e sendo assim, nos tornamos cada vez mais próximos do Deus que somos em nossa Esfera.

A compreensão de nossa própria vida nos leva a enxergar verdadeiramente os nossos limites no intuito de transpô-los, nossas fraqueza afim de corrigi-la e extermina-la a partir da experiência, a detenção do Cálice, onde podemos preenche-lo com glórias e virtudes conquistadas, ou fraquezas, vícios e banalizações da carne.

A iniciação deve ser vista como prática, e de forma alguma a mesma se define em teoria. É um modo de vida que inclui responsabilidade, filosofia, educação em várias esferas de conhecimento, auto controle, coragem, devoção, divinização e disciplina em todas as esferas.

Quem está pronto para tal caminho?

A iniciação é certamente um processo de estágios contínuos e hierarquizados que nos levam a ser nós mesmos, nos levam a nossa evolução espiritual e encontro com nossa Unidade transcendendo o físico, mental, emocional e, é claro, nosso espiritual.

Nestes estágios, alguns dons e virtudes são conquistados ou de alguma forma, desenvolvidos ou florescidos dentro de nós como paranormalidade, percepção além do comum, sincronicidades em relação ao Universo em seu redor, e demais controles que podem envolver manipulação natural e obvia superioridade.

Portanto, saibam, a Iniciação deve trazer experiência vivencial prática, e não apenas sermões a grandes massas que acreditam sem experimentar e saber o porque;

A iniciação deve dar também conhecimento de causa, ao invés de uma superficial fé cega sem razão e sem raízes.

Vivam, portanto a iniciação verdadeira e busquem nela a Unidade Suprema de nossa Natureza. Este é o único conselho que este texto tem a pretensão de fazer.

Do contrário, estejam certos do erro em que cada um se empenhou e o fatal fim de cada um destes infelizes...Apenas um fruto podre.

Apenas um fruto podre.

Layil L.
IXº S.S. M.
Membro do Conselho Maior
Grande Loja Negra IGIGI
S. J. Rio Preto - SP



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