O Jardim de Nosso Senhor Baphomet

Tomo I

Aos irmãos e irmãs, aos semelhantes meus que possam neste momento compreender estas palavras; e ainda que, compreender de fato o que está a sua volta. Como deuses de uma nova raça, incompreendida e elevada, temos na PALAVRA de Nosso SENHOR e DEUS PAI todos os mistérios revelados para que possamos viver a vida e tomá-la em mãos como nos é legado.

Gostaria de chamar a atenção de todos meus semelhantes a sua volta e assim nos fazer refletir sobre tais questões;
O que é o Espelho da Verdade, o que ele reflete e o que isso tudo tem a ver com a vida que escolhemos para nós?

É fato que a vida que escolhemos pode não estar em consonância com a divindade que sabemos existir em nós mesmos e para tanto, a iniciação ai se encontra para nivelar todos estes fundamentais elementos, portanto,devemos compreender e seguir essas máximas, atentando-se com perseverança e sobriedade as sutilezas da PALAVRA, compreendendo para que não incorrermos em Dor. Mas ainda assim, mesmo que incorra a Dor, aceitem não sob o prisma do conformismo, até porque não somos assim sempre tão tolos, mas que um erro e sua inevitável causa e efeito por vezes é necessário para que realmente possamos aprender e realmente evoluir.

A cada escolha que tomamos, e é fato lembrar que a todo momento tomamos decisões e sendo assim, cada uma delas possuem seus lados sombrios e aqueles luminosos que a grande maioria das vezes, por ilusão, acreditamos estar certos de conseguir mas a grande questão é... E quando não conseguimos?

O que temos a aprender portanto com tais ordálios? De fato, meus irmãos e irmãs entendem verdadeiramente o que é um ordálio? Como buscar em nós mesmos a perfeição que nossa raça nos lega? Porque mesmo ciente destas questões, incorremos estupidamente em erros tão crassos e comuns?

Penso se Nosso Senhor nos vê e perdoa de tais “incidentes”, ou ainda, ele nos agracia em suas manifestações aqui nesta esfera para que possamos pela Dor aprender sob a égide de Asaradel, Akibeel, Berkaial e Amasarac tendo certo quem somos em origem e por tal condição, o que muitos podem denominar como amor, podemos ir além dos preceitos morais e complementar tal termo em justiça e sabedoria elevada também.

Será o humano dentro de nós que clama por tais vícios e incorrências tolas em cada detalhe de nossas vidas? Será realmente isso algo a ser eliminado dentro de nós? O único fato real é que aqui no Reino, o Jardim de nosso Senhor Baphomet, sementes são plantadas e germinadas a todo momento, a responsabilidade pelo cultivo e pela colheita dos frutos são exclusivamente nossos, e somente no momento onde a compreensão, a certeza e a razão não estão conciliadas com o cultivo, é que inevitavelmente teremos essas oportunidades de compreender após a contemplação do fruto colhido, ou ainda pela Dor.

Isso não deve sugerir que nos limitemos as vicissitudes da vida, mas ao contrário, que possamos por um outro prisma, aprender e preencher nosso cálice com virtudes e dádivas, com conhecimento empírico e deixar a onisciência em nós fluir cada vez mais. Possamos nos permitir a perceber o nosso redor, usar dos sentidos comuns doutrinados pelo divino, buscar apenas a evolução e a harmonia em nossa natureza.

Vejamos sob a égide de nosso Senhor Baphomet; O Andrógino da perfeição arcana, Pai e Mãe unidos. Isso demonstra a fórmula completa do mantenedor Sagrado. A severidade e a ternura, o zelo protetor e a consciência do abandono da cria para assim evoluir sozinha, mesmo que sobre nossos olhos.

Dessa forma percebemos que a Iniciação é severa, pois toma de nós aquilo que não compreendemos que não é de nós, ela toma cada vez mais que rumamos a gloria, tudo aquilo que não nos serve, no entanto, o humano em nós ainda se faz preso a tais posses e visões de vida, felicidade ilusória e satisfação sagrada.

Nossa natureza irá sempre nos dirigir ao nosso ingenium, fazendo com que desta forma, tome o que é teu por direito no Reino, mesmo que isso implique certamente em Dor.

Como tal, lembramos sobre as reflexões da PALAVRA:

“Somos os Lobos por entre o rebanho de Ovelhas” O que isso quer de fato dizer?

Tal máxima exprime muitas coisas e todas elas são verídicas e incisivas na constatação do real em detrimento de nossas ainda ilusórias visões confortáveis.

Não há reciprocidades, o que existem são ações fundamentadas em intenções encobertas que podem ou não estar em consonância com o que queremos naquele momento, e por tal razão é que de fato, se torna muito difícil sermos isentos de retribuições. A elevação se dá quando não precisamos do alimento da carne (sensações e prazeres) atrelados a outras esferas que não corroboram com esta reciprocidade ilusória.

Nossas competências devem ser criadas e ministradas de forma a nos tornarmos auto suficientes ou ainda bem engajados de um reino onde se poderá usufruir sem culpa de algumas ovelhas, pois que a natureza das mesmas é servir, e a nossa de sermos servidos. A diferença no entanto é que servimos quando queremos e podemos optar por tais condições o que se limita quando falamos de macacos.

Viver e caminhar pelo Jardim como uma criança, um sábio ou um demônio significa buscar como uma criança em suas grandes descobertas no desvelar progressivo da vida que se mostra aos teus pequenos olhos, um sábio que não se prende a paixões fulminantes mas sim ao seu aprendizado, sóbrio e vigilante, e como um demônio inquiridor, que contesta e que não aceita sem antes sentir em teu coração.

Mas cuida-te para não argumentar contra si próprio pois deves realmente entender o teu coração antes de dizer o porque aceita ou não tais verdades que se desvelam em nós a todo momento dentro de nosso processo iniciático. Tal como em uma criança. Uma simples criança é o que somos.