O Jardim de Nosso Senhor Baphomet

Tomo II

"O tempo era eternidade, em um perpétuo Sabá" - Thomas Traherne

A celebre frase já nos reporta ao significado de toda formula de Nosso Senhor Baphomet. Disso compreendemos que não se foge de nossa natureza, da vida em si, mas compreendendo o legado que trazemos, herdeiros da coroa de Atarah, devemos toma-la em domínio pleno e transmuta-la.

A analise precede o síntese. O solvet e tudo o que ele implica deve vir primeiro como destruição plena e voluntária para dar lugar ao trabalho de Coagula após.

O iniciado no limiar de sua iniciação, dado inicio pelo seu despertar, é assolado pela complexidade interior de seu “falso ser” e a exteriorização desse processo, compreendido e testemunhado duramente pelo espelho da verdade, o atormenta em agoniante relutância em elimina-la, esse é o primeiro duro passo dentro da formula de “solvet” onde a dissolução vem de forma abrupta ou progressiva, mas em qualquer um dos casos, sempre brutal e impiedosa.

Tal formula em seu processo, muito embora extremamente desagradável, e fundamentalmente necessária uma vez que “devemos esvaziar nosso cálice de Berkaial para assim podermos preenche-lo de virtudes e dadivas” tal como lega o Nox Pentagrammaton. Percebe-se com isso que a vida é dissolução e possível sofrimento, até que nosso temploo interior esteja devidamente pronto e santificado para se receber a Luz divina.

Lembramos que tal processo se manifesta junto ao Jardim e as esferas androgonicas devem estar alinhadas para se alcançar um bom êxito. Para tanto, observamos que os nossos sentidos comuns devem estar doutrinados há uma condição superior de discernimento e nosso valores, emoções e sentimentos em sinergia trabalhados em prol do Divino em nós.

E é desta forma que devemos entender os processos alquímicos interiores, macro e micro que se fazem sob a égide de Nosso Senhor Baphomet. Se compreendidos desta forma, o passo seguinte é a formula do coagula, onde devemos unir os pedaços de que sobrou, unir o Pai e a Mãe tal qual a formula implícita, o Andrógino da Perfeição arcana.

Esses pedaços devem ser remontados com a Argila da Onisciência criada e Divina em nós tal como é referido no facho luminoso entre seus chifres virtuosos que representam o shin hebraico, que divide e equilibram as forças do Universo, od e Ob (ativo e passivo) pela luz de Aur (ain).

A Obra Negra começa onde a Natureza cessou pois a Obra é um resgate, é a ferramenta do Religare.

A natureza não assistida pela Obra tende a falhar, portanto, sejamos sóbrios e vigilantes.